A Drenagem Transtimpânica (DTT), também conhecida como inserção de tubo de ventilação ou "tubo no ouvido", é o procedimento cirúrgico mais realizado em crianças em todo o mundo, e por uma boa razão: é altamente eficaz, tecnicamente simples, rápido e com impacto imediato na qualidade de vida dos pacientes. Em Belo Horizonte, a Dra. Mariana Castro Denaro realiza esse procedimento com indicação criteriosa, avaliando cada caso individualmente para garantir que a cirurgia seja realmente necessária e que o momento cirúrgico seja o mais adequado para o desenvolvimento da criança.
Com CRM-MG 41585 | RQE 15387, mais de 20 anos de experiência em otologia e mais de 15.500 pacientes atendidos, a Dra. Mariana tem ampla experiência no diagnóstico e tratamento da otite crônica e da otite com efusão, as principais indicações para DTT. O atendimento é realizado na Rua Padre Rolim 515, Santa Efigênia, Belo Horizonte.
O que é a otite média com efusão (OME): a principal indicação para DTT
A otite média com efusão (OME), popularmente chamada de "ouvido colado" ou "otite serosa", é a presença de líquido no ouvido médio sem sinais de infecção aguda, sem febre, sem dor intensa, sem secreção purulenta. Esse líquido pode ser seroso (aquoso), mucoso (viscoso, como mel, o que dá origem ao termo "glue ear" em inglês) ou de consistência intermediária.
A OME é extremamente comum em crianças: estima-se que cerca de 80% das crianças terão pelo menos um episódio antes dos 10 anos de vida. Na maioria dos casos, o líquido se resolve espontaneamente em 3 meses. O problema é quando persiste, e persiste silenciosamente, pois a criança geralmente não tem dor. O único sinal é a perda auditiva condutiva, que muitas vezes passa despercebida pelos pais ou é interpretada como desatenção ou desinteresse.
O mecanismo da OME envolve a disfunção da tuba auditiva (tuba de Eustáquio), o canal que conecta o ouvido médio à nasofaringe e que normalmente equaliza a pressão e drena o líquido do ouvido médio. Quando a tuba não funciona adequadamente (por imaturidade, muito comum em crianças pequenas, infecção viral prévia ou obstrução pelas adenoides), o ouvido médio fica em pressão negativa e se enche gradualmente de transudato. O líquido amortece a vibração dos ossículos e do tímpano, causando perda auditiva tipicamente de 20 a 40 dB.
Impacto da OME no desenvolvimento da linguagem em crianças
Em adultos, uma perda auditiva de 25 a 30 dB é uma inconveniência, o paciente precisa pedir que repitam as coisas e tem dificuldade em ambientes ruidosos. Em uma criança de 1 a 3 anos, essa mesma perda tem consequências muito mais sérias: é justamente nesse período que ela está adquirindo os sons da língua materna, aprendendo as primeiras palavras e estruturas gramaticais. Audição reduzida nessa fase equivale a aprender um idioma com o volume do professor continuamente baixo.
Crianças com OME persistente não tratada frequentemente apresentam:
- Atraso na aquisição de vocabulário, começam a falar mais tarde e com repertório mais restrito;
- Dificuldade de articulação, pronunciam mal sons que não conseguem ouvir com clareza;
- Atraso no desenvolvimento gramatical, frases mais curtas e estruturas menos complexas para a idade;
- Problemas de atenção e comportamento, frequentemente mal interpretados como déficit de atenção ou desobediência;
- Dificuldade de aprendizado escolar, especialmente leitura e escrita, que dependem da representação fonológica clara dos sons.
A DTT interrompe esse ciclo: ao restaurar a audição imediatamente após a cirurgia, permite que a criança retome o estímulo auditivo adequado. Em muitos casos, crianças que apresentavam atraso de fala recuperam o desenvolvimento de forma acelerada nos meses seguintes ao procedimento, sem necessidade de fonoterapia adicional.
Otite Aguda Recorrente: quando a DTT previne as infecções
Algumas crianças não têm líquido crônico no ouvido, mas têm episódios repetidos de otite aguda, febre, dor intensa e eventualmente secreção purulenta pelo canal auditivo. Quando esses episódios se tornam frequentes (3 ou mais em 6 meses, ou 4 ou mais em 12 meses), a DTT está indicada como medida preventiva.
O mecanismo é simples: o tubo de ventilação impede o acúmulo de líquido no ouvido médio, e sem líquido estagnado, as bactérias não têm substrato para se multiplicar. Estudos mostram redução de 50 a 70% na frequência de otites agudas após DTT em crianças com otite recorrente. Além de evitar o sofrimento da criança durante as crises, a redução das otites diminui o consumo de antibióticos e o risco de desenvolvimento de resistência bacteriana.
O procedimento na prática: o que esperar antes, durante e depois
Antes da cirurgia: a indicação é confirmada com audiometria (ou audiometria comportamental em crianças pequenas), imitanciometria (timpanometria, que mostra o líquido no ouvido médio com curva tipo B) e avaliação clínica completa. Avaliação pré-anestésica é solicitada conforme protocolo do centro cirúrgico.
Durante o procedimento: anestesia geral inalatória rápida (sem intubação, na maioria dos casos, máscara laríngea), duração total de 10 a 20 minutos incluindo preparo. O cirurgião visualiza o tímpano com microscópio cirúrgico, faz a miringotomia (incisão milimétrica no quadrante anteroinferior do tímpano), aspira o líquido e insere o tubo com um fórceps específico. Não há sutura. A criança acorda ainda na sala de cirurgia.
Após o procedimento: alta hospitalar no mesmo dia, na maioria dos casos, após algumas horas de observação pós-anestésica. A melhora da audição é imediata, pais frequentemente relatam que a criança "acorda falando mais alto" ou reagindo a sons que antes ignorava. Otorreia (saída de líquido ou secreção pelo tubo) nos primeiros dias é normal e esperada, é o líquido que estava no ouvido médio saindo pelo tubo. Consulta de revisão é agendada para 15 a 30 dias após o procedimento.
Veja também informações sobre timpanoplastia, o procedimento cirúrgico para reconstrução do tímpano quando há perfuração estabelecida, e sobre como diagnosticar e tratar otite crônica.
DTT em adultos: quando o tubo também é indicado fora da infância
Embora seja muito mais comum em crianças, a DTT também tem indicações em adultos. As principais são:
- Disfunção tubária crônica com otite com efusão persistente, pode ocorrer após infecções de vias aéreas superiores graves, radioterapia de cabeça e pescoço ou como condição idiopática;
- Barotrauma recorrente em mergulhadores ou pilotos com disfunção tubária, o tubo equilíbra a pressão passivamente, evitando o barotrauma;
- Otite serosa unilateral em adulto, importante frisar que em adultos, especialmente acima de 40 anos, efusão unilateral persistente deve sempre excluir lesão nasofaríngea (especialmente carcinoma de nasofaringe) antes de indicar DTT;
- Pré-operatório de cirurgia de ouvido médio, para melhorar a ventilação do ouvido e as condições da mucosa antes de procedimentos como timpanoplastia.
Em adultos, o procedimento pode frequentemente ser realizado com anestesia local, sem necessidade de anestesia geral, o que simplifica ainda mais o procedimento e permite realizá-lo em ambiente ambulatorial.
Agende sua consulta em Belo Horizonte
Se o seu filho teve diagnóstico de otite com efusão, otites de repetição ou atraso no desenvolvimento da fala, ou se você adulto tem disfunção tubária crônica, agende uma avaliação com a Dra. Mariana Castro Denaro, CRM-MG 41585 | RQE 15387, com mais de 20 anos de experiência em otologia e cirurgia de ouvido em Belo Horizonte. Consultório na Rua Padre Rolim 515, Santa Efigênia.
Agendar pelo WhatsAppPerguntas frequentes
O que é a drenagem transtimpânica e para que serve?
A Drenagem Transtimpânica (DTT) é um procedimento cirúrgico minimamente invasivo que consiste na inserção de um pequeno tubo de ventilação (também chamado de grommet ou tubo de timpanostomia) através do tímpano. O tubo cria uma abertura que permite a entrada de ar no ouvido médio, equilibrando a pressão e drenando qualquer líquido acumulado. Sem essa ventilação, o líquido (que pode ser seroso, mucoso ou purulento) fica represado no ouvido médio, causando perda auditiva condutiva e favorecendo infecções repetidas. O objetivo é restaurar a função normal do ouvido médio enquanto a tuba auditiva matura e passa a funcionar adequadamente.
Quando é indicada a DTT em crianças?
As principais indicações em crianças são: otite média com efusão (OME) persistente por mais de 3 meses com perda auditiva condutiva documentada em audiometria; otites agudas recorrentes, pelo menos 3 episódios em 6 meses ou 4 episódios em 12 meses, mesmo com antibioticoterapia adequada; e disfunção tubária crônica com impacto na audição. A DTT em crianças tem impacto direto no desenvolvimento da linguagem: a OME não tratada é uma das principais causas de atraso de fala em crianças de 1 a 3 anos, justamente no período crítico de aquisição da linguagem.
Como é feito o procedimento na criança?
Em crianças, especialmente abaixo de 6 a 7 anos, a DTT é realizada sob anestesia geral inalatória breve, com duração total de 10 a 15 minutos. O procedimento em si leva de 5 a 10 minutos: o cirurgião faz uma pequena incisão no tímpano (miringotomia), aspira o líquido presente no ouvido médio e insere o tubo de ventilação na abertura. Não há pontos, incisões externas nem internações prolongadas, na maioria dos centros, é realizado em regime ambulatorial, com a criança indo para casa no mesmo dia. A melhora da audição é imediata e perceptível logo que a anestesia passa.
Por quanto tempo o tubo fica no ouvido?
Os tubos de ventilação convencionais (curta duração) permanecem no tímpano em média de 6 a 12 meses, caindo espontaneamente à medida que o tímpano se regenera e expulsa o dispositivo para o canal auditivo externo. Não é necessário removê-los cirurgicamente na maioria dos casos. Existem também tubos de longa duração (T-tubes), feitos de material diferente e com flanges maiores, indicados para crianças com necessidade de ventilação prolongada, esses podem permanecer por vários anos e geralmente precisam de remoção programada. A escolha do tipo de tubo é feita pelo cirurgião com base na história clínica de cada paciente.
Quais cuidados são necessários com o tubo no ouvido?
O principal cuidado é proteger o ouvido da entrada de água enquanto o tubo estiver presente, água no canal auditivo pode passar pelo tubo para o ouvido médio e causar otorreia (secreção) ou infecção. Para banho, recomenda-se proteger o ouvido com algodão umedecido em vaselina. Para natação, o uso de tampões auditivos específicos é indicado, embora alguns tipos de tubo permitam natação superficial sem proteção. Mergulho e natação com submersão da cabeça são, em geral, contraindicados. Além disso, o acompanhamento regular com a otorrinolaringologista é importante para verificar a posição do tubo, a condição do tímpano e a evolução da audição.
O que acontece quando o tubo cai? A OME pode voltar?
Quando o tubo cai, o tímpano se cicatriza espontaneamente na grande maioria dos casos, sem deixar perfuração permanente. Em aproximadamente 20 a 30% dos casos, a otite com efusão retorna após a saída do tubo, o que pode indicar necessidade de um novo tubo ou avaliação das adenoides, já que hipertrofia adenoideana é um dos fatores que obstrui a tuba auditiva e favorece o acúmulo de líquido no ouvido médio. Nesses casos, a adenoidectomia (retirada das adenoides) combinada com nova DTT pode ser a solução definitiva.
Fontes e referências
As informações desta página têm finalidade educativa e não substituem consulta médica, diagnóstico individualizado ou atendimento de urgência e emergência. Consulte sempre um profissional de saúde habilitado.

