Dentro do ouvido médio, três ossículos microscópicos, martelo, bigorna e estribo, realizam uma das tarefas mais precisas do corpo humano: amplificar e transmitir as vibrações captadas pelo tímpano até o fluido do ouvido interno, onde os sinais sonoros se transformam em impulsos nervosos. Quando essa cadeia ossicular é destruída por doença, trauma ou malformação, o resultado é uma perda auditiva de condução muitas vezes severa. A ossiculoplastia é a cirurgia que reconstrói essa cadeia, devolvendo ao paciente a capacidade de ouvir com nitidez.
Em Belo Horizonte, a Dra. Mariana Castro Denaro, otorrinolaringologista com especialização em otologia, CRM-MG 41585 e RQE 15387, é referência nesse procedimento. Com mais de 20 anos de experiência cirúrgica, mais de 15.500 pacientes atendidos e fellowship de aperfeiçoamento na Fundação FISH, na Suíça, ela domina tanto as técnicas clássicas quanto as abordagens endoscópicas contemporâneas para reconstrução ossicular. O consultório fica na Rua Padre Rolim, 515, Sala 805, no bairro Santa Efigênia, com fácil acesso ao transporte público de BH.
Como funciona a cadeia ossicular e por que ela pode ser danificada
O martelo está em contato direto com o tímpano e recebe as vibrações sonoras. Essas vibrações são transmitidas à bigorna e depois ao estribo, que encaixa na janela oval, a entrada do ouvido interno. Esse sistema de alavancas ósseas amplifica o som em aproximadamente 25 dB, compensando a diferença de impedância entre o ar (no ouvido médio) e o fluido (no ouvido interno). Sem essa amplificação, os sons chegam ao ouvido interno atenuados demais para produzir uma audição funcional.
As principais causas de dano à cadeia ossicular incluem:
- Colesteatoma: crescimento anormal de pele no ouvido médio que produz enzimas corrosivas capazes de erodir os ossículos ao longo de meses a anos. É a causa mais comum de necessidade de ossiculoplastia em adultos.
- Otite média crônica com erosão ossicular: processos inflamatórios repetidos que comprometem a vascularização e a integridade dos ossículos, a bigorna é o mais vulnerável por sua posição anatômica desfavorável.
- Trauma craniofacial: fraturas do osso temporal ou impactos diretos sobre a orelha podem luxar (desarticular) ou fraturar os ossículos, mesmo sem perfuração do tímpano.
- Malformação congênita: algumas crianças nascem com ossículos mal formados ou ausentes, causando perda auditiva condutiva desde o nascimento, diagnosticada frequentemente pela triagem auditiva neonatal.
- Iatrogenia cirúrgica: em cirurgias anteriores de ouvido médio, pode ocorrer dano inadvertido à cadeia ossicular, exigindo reconstrução posterior.
Tipos de próteses ossiculares: PORP e TORP
A escolha do tipo de prótese é determinada pela extensão do dano ossicular encontrado durante a cirurgia. As duas categorias principais são:
- PORP (Partial Ossicular Replacement Prosthesis, prótese ossicular parcial): substitui apenas a bigorna (e eventualmente o martelo), sendo posicionada entre o tímpano e a cabeça do estribo. É indicada quando o estribo está intacto e bem fixo na janela oval. Por preservar o estribo nativo, os resultados auditivos tendem a ser melhores.
- TORP (Total Ossicular Replacement Prosthesis, prótese ossicular total): substitui toda a cadeia entre o tímpano e a janela oval, sendo posicionada diretamente sobre a platina do estribo. Indicada quando o estribo também está destruído, situação mais complexa e com resultados auditivos menos previsíveis.
Em relação aos materiais, o titânio tornou-se o padrão-ouro da ossiculoplastia: é biocompatível, extremamente leve, resistente à corrosão e permite visualização adequada em exames de imagem pós-operatórios. A hidroxiapatita é uma cerâmica que mimetiza a composição do osso, sendo bem integrada pelos tecidos. Quando o cirurgião opta por materiais autólogos, osso cortical do próprio mastoide ou cartilagem modelada, elimina qualquer risco de rejeição, embora exija maior habilidade técnica no molde da peça.
Ossiculoplastia e colesteatoma: a conexão mais comum
A grande maioria das ossiculoplastias realizadas em adultos ocorre no contexto do tratamento cirúrgico do colesteatoma. Quando o colesteatoma erode os ossículos, o que acontece em 60 a 80% dos casos de colesteatoma avançado, a cirurgia de remoção do colesteatoma (mastoidectomia) precisa ser complementada pela reconstrução ossicular.
A questão é: fazer a reconstrução no mesmo tempo cirúrgico ou em segundo tempo? Essa decisão depende de vários fatores: extensão do colesteatoma, presença de infecção ativa, condição do tímpano e da mucosa do ouvido médio. Quando há dúvida sobre a remoção completa do colesteatoma, especialmente em casos extensos, muitos otologistas preferem o segundo tempo cirúrgico, agendado 12 meses após a primeira cirurgia, momento em que também se verifica a ausência de recidiva. A Dra. Mariana avalia cada caso individualmente e discute com o paciente os fatores que determinam a melhor estratégia.
Você pode entender mais sobre o colesteatoma e seu tratamento na página sobre colesteatoma em Belo Horizonte, e sobre as demais cirurgias de ouvido disponíveis na página de cirurgias de ouvido em BH.
Avaliação pré-operatória: exames indispensáveis
Antes de qualquer cirurgia de reconstrução ossicular, a Dra. Mariana realiza uma avaliação audiológica e de imagem detalhada:
- Audiometria tonal e vocal: quantifica o grau de perda auditiva e confirma o padrão condutivo, imprescindível para comparação pós-operatória e para documentar a indicação cirúrgica ao plano de saúde.
- Imitanciometria: avalia a mobilidade do sistema tímpano-ossicular, identificando ossículos fixos (como na otosclerose) ou interrompidos.
- Tomografia computadorizada de alta resolução dos ossos temporais: mapeia com precisão a extensão do dano ossicular, a relação com estruturas nobres (nervo facial, canal semicircular, jugular) e a presença de colesteatoma residual ou recorrente. É o exame mais importante no planejamento cirúrgico.
- Otoscopia com microscópio ou endoscópio: avalia a condição do tímpano, a presença de secreção, a mucosa do ouvido médio e a visibilidade dos ossículos remanescentes.
O procedimento cirúrgico: como funciona na prática
A ossiculoplastia é realizada sob anestesia geral ou sedação profunda, em regime de cirurgia ambulatorial (alta no mesmo dia) ou com internação de um dia. A duração varia de 1 a 3 horas, dependendo da complexidade do caso e da necessidade de procedimentos associados (timpanoplastia, mastoidectomia).
Após o acesso ao ouvido médio, seja pelo canal auditivo (abordagem endaural ou endoscópica) ou pela incisão retroauricular, o cirurgião avalia em campo direto as condições dos ossículos remanescentes. Com o uso de microscópio cirúrgico de alta resolução ou endoscópio, a prótese é posicionada com precisão milimétrica, interpondo-se entre o tímpano e o estribo (PORP) ou a janela oval (TORP). Uma peça de cartilagem é frequentemente colocada entre a prótese e o tímpano para evitar extrusão (deslocamento da prótese para fora), complicação que pode ocorrer em longo prazo.
Ossiculoplastia em Belo Horizonte: expertise que faz a diferença
A ossiculoplastia é considerada uma das cirurgias mais tecnicamente exigentes dentro da otologia. Trabalhar em um espaço com menos de 1 cm³, com estruturas delicadas a menos de 1 mm de nervo facial e do labirinto, exige treinamento específico e experiência acumulada. Não é um procedimento que todos os otorrinolaringologistas realizam, requer o que se chama de "mãos de otologista".
A Dra. Mariana Castro Denaro construiu essa expertise ao longo de mais de 20 anos dedicados especificamente à cirurgia de ouvido. Seu fellowship na Fundação FISH, na Suíça, instituição de referência mundial em otologia cirúrgica, permitiu contato com as técnicas mais avançadas e os resultados mais modernos publicados na literatura científica internacional. Em BH, ela é uma das poucas cirurgiãs com esse nível de especialização, atuando tanto no consultório particular (Santa Efigênia) quanto no HC/UFMG.
Se você teve colesteatoma operado anteriormente e ainda tem perda auditiva, ou se tem otite crônica com erosão ossicular documentada em tomografia, agende uma avaliação. A ossiculoplastia pode ser a cirurgia que faltava para você ouvir com qualidade novamente.
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A Dra. Mariana Castro Denaro atende no Santa Efigênia, em Belo Horizonte. Na consulta, você receberá avaliação audiológica completa, análise dos exames de imagem e um plano cirúrgico personalizado para reconstrução dos seus ossículos.
Agendar pelo WhatsAppPerguntas frequentes
O que é ossiculoplastia e quando ela é necessária?
Ossiculoplastia é a cirurgia que reconstrói a cadeia ossicular do ouvido médio, formada pelos três menores ossos do corpo humano: martelo, bigorna e estribo. Ela é necessária quando esses ossículos são destruídos ou erodidos por colesteatoma, otite crônica com erosão óssea, trauma físico ou malformação congênita. Sem uma cadeia ossicular íntegra, o som captado pelo tímpano não é amplificado e transmitido ao ouvido interno, resultando em perda auditiva condutiva que pode chegar a 50–60 dB, equivalente a ouvir apenas sons muito altos.
Quais são as próteses utilizadas na ossiculoplastia?
Existem dois tipos principais de próteses ossiculares: a PORP (Partial Ossicular Replacement Prosthesis), que substitui apenas a bigorna e é posicionada entre o tímpano e a cabeça do estribo quando este está preservado; e a TORP (Total Ossicular Replacement Prosthesis), que substitui toda a cadeia entre o tímpano e a janela oval quando o estribo também está comprometido. Os materiais mais usados são titânio (leve, biocompatível, altamente durável) e hidroxiapatita (material cerâmico similar ao osso). Em alguns casos, utiliza-se cartilagem ou osso do próprio paciente para criar a prótese, eliminando qualquer risco de rejeição.
A ossiculoplastia é sempre feita junto com a timpanoplastia?
Não necessariamente. Quando há perfuração do tímpano e dano aos ossículos ao mesmo tempo, ambas as cirurgias podem ser realizadas em um único tempo cirúrgico, o que é frequente no tratamento do colesteatoma. Porém, em casos complexos, o cirurgião pode optar por fazer a ossiculoplastia em um segundo tempo, alguns meses após a primeira cirurgia. Essa abordagem em dois tempos é preferida quando há infecção ativa, quando é necessário aguardar a estabilização do tímpano enxertado ou quando a extensão do dano ao ouvido médio exige avaliação após a primeira intervenção.
Qual é a taxa de sucesso da ossiculoplastia?
Em centros especializados, a ossiculoplastia melhora a audição em 70 a 85% dos casos. O sucesso depende principalmente de dois fatores: a condição do tímpano (quanto mais íntegro e bem vascularizado, melhor o resultado) e a presença ou ausência do estribo, quando o estribo está preservado, mesmo que parcialmente, os resultados auditivos são significativamente melhores. A qualidade da prótese escolhida e a experiência do cirurgião também influenciam diretamente o desfecho. Em casos favoráveis, o ganho auditivo pode chegar a 20–30 dB.
Qual é a recuperação após a ossiculoplastia?
A recuperação é semelhante à da timpanoplastia: alta hospitalar no mesmo dia ou no dia seguinte, retorno a atividades leves em 1 a 2 semanas, e restrição aquática de 4 a 8 semanas. A melhora auditiva não é imediata, leva de 4 a 6 semanas para que o edema cirúrgico diminua e a prótese se estabilize na posição correta. Uma audiometria pós-operatória é realizada entre 3 e 6 meses após a cirurgia para quantificar o ganho auditivo obtido.
A ossiculoplastia é coberta por plano de saúde?
Em muitos casos, sim. A ossiculoplastia é um procedimento cirúrgico com código na tabela da ANS, e a cobertura depende do plano contratado e da indicação clínica documentada. A Dra. Mariana realiza atendimento particular em consultório, mas as cirurgias podem ser encaminhadas para hospitais credenciados onde o plano do paciente é aceito. Pacientes do SUS podem ter acesso ao procedimento pelo HC/UFMG, onde a Dra. Mariana também atua. Recomenda-se verificar a cobertura diretamente com a operadora antes do agendamento cirúrgico.
Fontes e referências
- Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (SBOCF) – Diretrizes em Otologia
- American Academy of Otolaryngology–Head and Neck Surgery (AAO-HNS): Ossiculoplasty
- Otology & Neurotology Journal – Outcomes of Ossicular Chain Reconstruction
- Conselho Federal de Medicina (CFM) – Registro e Qualificação Especialista
- NIH/NIDCD – Hearing Loss and Middle Ear Surgery
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