A otite crônica é um problema mais comum do que se imagina e, ao contrário da crença popular, antibióticos por si só raramente resolvem o problema de forma definitiva. Se você convive com episódios repetidos de secreção pelo ouvido, tem diagnóstico de perfuração no tímpano ou já foi operado do ouvido sem resolução completa, este conteúdo é importante para você.
A Dra. Mariana Castro Denaro é otorrinolaringologista especializada em otologia, com formação em cirurgia de ouvido na Fundação FISH (Suíça) e mais de 20 anos de experiência em cirurgias do ouvido médio em Belo Horizonte. Atende no consultório da Rua Padre Rolim, 515, 8º andar, Santa Efigênia.
O que é otite crônica e como ela se diferencia da aguda
Otite média crônica é a inflamação persistente (mais de 3 meses) ou recorrente do ouvido médio, a cavidade atrás da membrana timpânica que contém os ossículos e se conecta à nasofaringe pela tuba auditiva. Diferente da otite aguda, que resolve com antibiótico na maioria dos casos, a otite crônica envolve alterações estruturais que o antibiótico não é capaz de corrigir.
Existem três formas principais de otite crônica, com graus diferentes de gravidade:
- Otite média crônica supurativa simples: perfuração tímpânica com episódios recorrentes de secreção (otorreia), geralmente sem odor intenso e sem destruição óssea. É a forma mais comum e a de melhor prognóstico cirúrgico.
- Otite média crônica com colesteatoma: forma mais grave. O colesteatoma é uma massa de epitélio escamoso que cresce no ouvido médio, destrói osso progressivamente e pode comprometer o nervo facial, o labirinto e, em casos avançados, a base do crânio. Exige cirurgia de ressecção completa.
- Otite média com efusão (OME): líquido no ouvido médio sem infecção ativa. Não há secreção pelo ouvido nem dor, mas há perda auditiva por condução. Muito comum em crianças com adenoide hipertrofiada. Tende a ser silenciosa e subdiagnosticada.
| Característica | Otite aguda | Otite crônica |
|---|---|---|
| Duração | Início súbito, resolve em 7 a 14 dias | Persiste por mais de 3 meses ou recorre |
| Sintomas típicos | Dor intensa, febre, secreção | Secreção recorrente e perda auditiva progressiva |
| Alteração estrutural | Geralmente ausente | Perfuração, erosão de ossículos ou colesteatoma |
| Tratamento de base | Antibiótico e anti-inflamatório | Cirúrgico (timpanoplastia, mastoidectomia) |
Sintomas: quando suspeitar de otite crônica
Os sintomas variam conforme o tipo e a extensão do comprometimento, mas os mais frequentes são:
- Secreção recorrente pelo ouvido, com ou sem odor, especialmente após exposição à água ou resfriado
- Sensação de ouvido tampado ou cheio, com perda de audição
- Zumbido (tinnitus) de baixa frequência
- Restrição para nadar ou mergulhar, médicos costumam proibir atividades aquáticas
- Dor eventual, especialmente durante episódios infecciosos agudos
- No colesteatoma: secreção com odor intenso (fétido), tontura e, em estágios avançados, fraqueza facial
- Em crianças com OME: falta de atenção, dificuldade escolar, pedidos frequentes para repetir, atraso na fala
A perda auditiva na otite crônica é progressiva e silenciosa, muitos pacientes não percebem o quanto a audição piorou até que uma audiometria revela a extensão do problema.
Diagnóstico: exames necessários
O diagnóstico começa pela otoscopia, visualização direta do canal auditivo e da membrana timpânica, que permite identificar perfurações, secreção, retrações e massas suspeitas de colesteatoma. Os exames complementares mais utilizados são:
- Audiometria tonal e vocal: quantifica a perda auditiva e determina se ela é de condução (ouvido médio), neurossensorial (ouvido interno) ou mista. Essencial para planejar o tratamento e avaliar resultados cirúrgicos.
- Imitanciometria (timpanometria): avalia a mobilidade da membrana timpânica e a pressão no ouvido médio, útil especialmente em crianças com suspeita de OME.
- Tomografia computadorizada dos ossos temporais: exame de imagem indispensável para avaliar a extensão do colesteatoma, identificar erosão ossicular, comprometimento do labirinto, canal do nervo facial ou tegmen (teto do ouvido médio). Fundamental para o planejamento cirúrgico.
- Cultura de secreção: orienta o antibiótico tópico para controle de infecção aguda antes da cirurgia.
Tratamento cirúrgico: timpanoplastia, mastoidectomia e DTT
O tratamento definitivo da otite crônica é cirúrgico na grande maioria dos casos. O antibiótico pode controlar um episódio infeccioso agudo, mas não fecha a perfuração, não remove o colesteatoma nem drena o líquido do ouvido médio de forma permanente. As cirurgias realizadas pela Dra. Mariana Castro Denaro incluem:
- Timpanoplastia: fechamento cirúrgico da perfuração timpânica com enxerto (geralmente fáscia do músculo temporal ou pericôndrio). Quando os ossículos estão danificados, a reconstrução da cadeia ossicular (ossiculoplastia) é realizada simultaneamente com próteses específicas. O resultado é fechamento da perfuração e melhora da audição por condução. Após a cicatrização completa, o paciente tem liberação para atividades aquáticas.
- Mastoidectomia com ressecção de colesteatoma: remoção completa do colesteatoma e de todo o epitélio anormal do ouvido médio e mastoide. Pode ser realizada em técnica fechada (preserva a parede posterior do canal, melhor resultado estético e funcional, requer revisão em 1 ano) ou aberta (cavidade de mastoidectomia aberta, maior segurança de ressecção, mais fácil de revisar). A escolha depende da extensão da doença e das características anatômicas do paciente.
- DTT, Drenagem Transtimpânica: inserção de tubo de ventilação no tímpano para drenar o líquido na OME e equilibrar a pressão do ouvido médio. Procedimento rápido, realizado sob anestesia geral breve (especialmente em crianças). O tubo permanece no local por 6 a 12 meses e cai espontaneamente. Frequentemente associado à adenoidectomia quando há hipertrofia de adenoide.
Recuperação e cuidados pós-operatórios
A maioria das cirurgias de ouvido é realizada sob anestesia geral e tem alta hospitalar no mesmo dia ou no dia seguinte. Os cuidados mais importantes no pós-operatório são:
- Manter o ouvido seco até liberação médica, uso de tampão de algodão com vaselina durante o banho
- Restrição para nadar ou mergulhar por 4 a 8 semanas, até a confirmação da cicatrização na consulta de retorno
- Evitar assoar o nariz com força nas primeiras semanas, o aumento de pressão pode deslocar o enxerto
- Curativo trocado conforme orientação, geralmente na primeira semana
- Audiometria de controle após 3 meses para avaliar o resultado auditivo
- Para colesteatoma operado em técnica fechada: revisão cirúrgica programada em 12 meses para confirmar ausência de recidiva
A melhora auditiva é progressiva. Muitos pacientes notam diferença já nas primeiras semanas após a cicatrização, com melhora adicional ao longo dos meses.
Por que escolher uma especialista em otologia para cirurgia de ouvido
A cirurgia do ouvido médio é uma das mais delicadas da cabeça e pescoço. O ouvido médio tem, em um espaço menor que 1 cm³, estruturas críticas: a membrana timpânica, três ossículos, o nervo facial, o canal semicircular lateral e a janela oval que dá acesso ao ouvido interno. Qualquer imprecisão pode resultar em complicações permanentes: surdez, paralisia facial ou tontura grave.
A Dra. Mariana Castro Denaro é fellow em cirurgia de ouvido e base de crânio pela Fundação FISH (Suíça) e coordenadora do Serviço de Saúde Auditiva e Implante Coclear do HC/UFMG. Ao contrário da maioria dos otorrinolaringologistas clínicos, ela se dedica exclusivamente à cirurgia do ouvido, o que representa maior volume de procedimentos, maior segurança e resultados mais consistentes.
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Agende sua avaliação de otite crônica em Belo Horizonte
Se você tem secreção recorrente pelo ouvido, perfuração tímpânica diagnosticada ou histórico de otites frequentes, não espere a situação agravar. A Dra. Mariana Castro Denaro atende no Santa Efigênia, Belo Horizonte, Rua Padre Rolim, 515, 8º andar, com fácil acesso ao transporte público. O atendimento é particular, com tempo adequado para avaliação completa, e os custos hospitalares e de próteses auditivas podem ser cobertos por convênio médico.
Agendar pelo WhatsAppPerguntas frequentes
Qual a diferença entre otite aguda e otite crônica?
A otite aguda é uma infecção de início súbito, com dor intensa, febre e secreção. Na maioria dos casos responde bem a antibióticos e anti-inflamatórios em 7 a 14 dias. A otite crônica, por sua vez, é a inflamação que persiste por mais de 3 meses ou que se repete com frequência. Ela raramente resolve apenas com antibióticos porque envolve alterações estruturais do ouvido médio, como perfuração tímpánica, destruição de ossículos ou formação de colesteatoma, que exigem tratamento cirúrgico para correção definitiva.
O que é colesteatoma e por que é considerado mais grave?
Colesteatoma é o crescimento anormal de epitélio escamoso dentro do ouvido médio, em condição normal, esse tipo de tecido só existe na pele externa do canal auditivo. Ele se comporta como uma massa expansiva que produz enzimas capazes de destruir o osso ao redor: podem afetar a cadeia ossicular (causando surdez), o canal do nervo facial (risco de paralisia), o labirinto (vertigem e surdez profunda) e, em casos avançados, a base do crânio ou o encéfalo (meningite, abscesso cerebral). Por isso o colesteatoma é uma indicação cirúrgica absoluta, não existe tratamento clínico eficaz para controlá-lo.
A timpanoplastia melhora a audição?
Sim, na maioria dos casos. A timpanoplastia fecha a perfuração tímpânica e, quando necessário, reconstrói a cadeia ossicular danificada (ossiculoplastia). Com a membrana íntegra e os ossículos funcionando, a condução do som ao ouvido interno é restaurada. A melhora auditiva é avaliada com audiometria pré e pós-operatória. Pacientes com perfuração simples e cadeia ossicular preservada têm os melhores resultados, ganho auditivo significativo na grande maioria dos casos.
Qual a recuperação após timpanoplastia?
A cirurgia é realizada sob anestesia geral e dura em média 1 a 2 horas. A alta hospitalar costuma ocorrer no mesmo dia ou no dia seguinte. O paciente fica com curativo no ouvido por cerca de 1 a 2 semanas. A restrição para água no ouvido operado dura de 4 a 8 semanas, até a confirmação da cicatrização pela Dra. Mariana. Após a liberação, o paciente pode nadar normalmente. A melhora auditiva é progressiva e avaliada com audiometria após 3 meses.
O que é DTT e quando é indicado?
DTT significa Drenagem Transtimpânica, um pequeno tubo de silicone inserido na membrana timpânica para drenar o líquido acumulado no ouvido médio e manter o canal aberto. É indicado principalmente em crianças com otite média com efusão (líquido no ouvido sem infecção ativa) recorrente, que causa perda auditiva e atraso no desenvolvimento da linguagem. Muitas vezes é realizado junto à adenoidectomia quando a adenoide hipertrofiada contribui para a obstrução da tuba auditiva. O tubo cai espontaneamente em 6 a 12 meses.
Otite crônica pode causar surdez permanente?
Sim. A inflamação crônica do ouvido médio lesa progressivamente a membrana timpânica e a cadeia ossicular, os três pequenos ossos (martelo, bigorna e estribo) que conduzem o som ao ouvido interno. Quanto mais tempo sem tratamento adequado, maior a destruição óssea e pior o prognóstico auditivo. Nos casos com colesteatoma, a destruição pode ser ainda mais rápida e extensa. Por isso o diagnóstico precoce e a cirurgia dentro do momento correto são fundamentais para preservar a audição.
Fontes e referências
As informações desta página têm finalidade educativa e não substituem consulta médica, diagnóstico individualizado ou atendimento de urgência e emergência. Consulte sempre um profissional de saúde habilitado.

