Acordar sem ouvir de um ouvido. Perceber de repente que o telefone no lado esquerdo não transmite mais som. Notar um zumbido intenso que surgiu da noite para o dia. Esses são os sinais mais comuns da surdez súbita, e todos eles exigem a mesma resposta: avaliação médica especializada imediatamente, não amanhã, não depois do final de semana.
A surdez súbita, tecnicamente denominada perda auditiva neurossensorial súbita (PANS), é uma emergência otológica com janela terapêutica estreita. O tratamento com corticoides, quando iniciado em até 72 horas do início dos sintomas, melhora significativamente as chances de recuperação auditiva. Cada hora de atraso pode significar perda permanente irreversível.
Em Belo Horizonte, a Dra. Mariana Castro Denaro, otorrinolaringologista com mais de 20 anos de experiência e Fellow em Cirurgia de Ouvido pela Fundação FISH (Suíça), realiza avaliação urgente de surdez súbita no consultório no bairro Santa Efigênia, com audiometria imediata e início de tratamento no mesmo dia quando indicado.
O que é surdez súbita: definição clínica
A definição clínica estabelecida é precisa: perda auditiva neurossensorial de pelo menos 30 dB em três ou mais frequências consecutivas, instalada em um período de até 72 horas. Neurossensorial significa que a lesão ocorre nas células ciliadas da cóclea (ouvido interno) ou no nervo auditivo, não no ouvido externo ou médio.
Na prática, o quadro é geralmente unilateral e o paciente percebe a perda de forma abrupta, seja ao acordar, ao telefone, ou após um zumbido intenso repentino. Os sintomas mais comuns incluem:
- Perda auditiva súbita em um ouvido: o sintoma cardinal, frequentemente percebido ao acordar
- Zumbido (tinnitus) intenso e repentino: presente em 70% dos casos, frequentemente o primeiro sintoma
- Sensação de ouvido tampado ou cheio: como se houvesse algo bloqueando o canal auditivo
- Tontura ou vertigem: presente em 30% a 40% dos casos; quando intensa, é fator de pior prognóstico
- Distorção dos sons: os sons são percebidos de forma alterada, abafada ou distorcida
É fundamental distinguir a surdez súbita de causas mais simples e tratáveis de obstrução auditiva aguda (como rolha de cerume, a cera, ou otite média com efusão) que causam perda condutiva, não neurossensorial. A audiometria realizada imediatamente é o exame que faz essa distinção.
Por que é urgência: a janela de 72 horas
O ouvido interno é irrigado por uma única artéria terminal, a artéria labiríntica, sem circulação colateral. Isso significa que qualquer agressão às células ciliadas da cóclea (seja viral, vascular ou imunológica) resulta em morte celular progressiva se não tratada. As células ciliadas do ouvido interno não se regeneram.
Os estudos clínicos mostram consistentemente que quanto mais precoce o tratamento, maior a chance de recuperação:
- Tratamento iniciado em até 72 horas: melhores taxas de recuperação, com possibilidade de retorno auditivo parcial ou total
- Tratamento entre 3 e 7 dias: chances de recuperação reduzidas, mas ainda relevantes
- Tratamento entre 7 e 14 dias: recuperação possível, mas com resultados inferiores
- Tratamento após 14 dias: as chances de recuperação auditiva significativa são muito baixas
Por isso, qualquer perda auditiva súbita inexplicada (mesmo que leve, mesmo sem dor, mesmo que o paciente "ache que vai melhorar sozinho") deve ser avaliada como urgência até que um especialista exclua o diagnóstico de surdez súbita.
Causas da surdez súbita
Em 60% a 70% dos casos, a causa permanece idiopática (desconhecida), mesmo após investigação completa. As hipóteses etiológicas mais aceitas pela literatura científica atual são:
- Causa viral: infecção pelo herpes vírus simples tipo 1 (HSV-1) ou por outros vírus neurotropos (citomegalovírus, caxumba, sarampo) que acometem o nervo coclear ou as células da cóclea. A maioria dos especialistas considera a etiologia viral a mais provável na surdez súbita idiopática.
- Causa vascular: isquemia da artéria labiríntica por espasmo, trombo ou embolia. Mais comum em pacientes com fatores de risco cardiovascular (hipertensão, diabetes, tabagismo, dislipidemia).
- Causa autoimune: processo imunológico que acomete o ouvido interno, frequentemente em pacientes com doenças autoimunes sistêmicas (lúpus, artrite reumatoide, policondrite). Pode ser bilateral e flutuante.
- Ruptura de membranas: fístula perilinfática (vazamento de perilinfa da janela oval ou redonda) pode ocorrer após esforço físico intenso, vômitos vigorosos ou barotrauma.
- Neurinoma do acústico: tumor benigno do nervo vestibulococlear que se manifesta como surdez súbita em cerca de 10% dos casos. Por isso a ressonância magnética é obrigatória na investigação.
Outras causas menos frequentes incluem: doença de Menière, síndrome de Susac, esclerose múltipla, lúpus eritematoso sistêmico e uso de medicamentos ototóxicos. A investigação completa é essencial para afastar essas condições.
Diagnóstico: o que esperar na avaliação urgente
A avaliação de uma surdez súbita segue um protocolo estruturado que permite confirmar o diagnóstico, afastar causas tratáveis e iniciar o tratamento o mais rápido possível:
- Anamnese detalhada: tempo de início, fatores precipitantes (esforço, infecção recente, uso de medicamentos), sintomas associados (tontura, zumbido, dor, febre), histórico de perda auditiva prévia
- Otoscopia: exame do canal auditivo externo e tímpano para afastar rolha de cerume, otite externa ou perfuração timpânica como causa da queixa
- Audiometria tonal e vocal imediata: exame fundamental que confirma o diagnóstico (perda neurossensorial ≥30 dB em 3 frequências consecutivas) e gradua a severidade
- Imitanciometria: afasta componente condutivo (otite média, efusão), diferenciando a surdez súbita neurossensorial de causas mecânicas
- Exames laboratoriais: hemograma, coagulograma, glicemia, sorologias (herpes, sífilis, HIV, citomegalovírus) e marcadores de autoimunidade em casos selecionados
- Ressonância magnética com gadolínio: obrigatória para todos os casos de surdez súbita para afastar neurinoma do acústico e outras lesões retrococleares; pode ser realizada após o início do tratamento, mas não deve ser indefinidamente postergada
Tratamento da surdez súbita: corticoides e opções complementares
O tratamento da surdez súbita é urgente e, na ausência de contraindicações, deve ser iniciado imediatamente após a confirmação diagnóstica pela audiometria.
Corticoterapia sistêmica (primeira linha)
A prednisona oral em alta dose (geralmente 1 mg/kg/dia, máximo 60 mg/dia) por 7 a 14 dias, com desmame progressivo, é o tratamento de primeira linha com maior evidência científica. O mecanismo é anti-inflamatório e imunossupressor, atuando na hipótese viral ou autoimune. Deve ser iniciada o mais rapidamente possível após o diagnóstico.
Corticoide intratimpânico (alternativa e resgate)
A injeção intratimpânica de corticoide (dexametasona ou metilprednisolona) consiste na aplicação direta da medicação no ouvido médio sob anestesia local, de onde ela atravessa a janela redonda e alcança a cóclea em alta concentração. É a alternativa para pacientes nos quais o corticoide sistêmico é contraindicado (diabéticos descompensados, hipertensos graves, pacientes com úlcera péptica ativa ou imunossuprimidos) e também é usada como tratamento de resgate quando a via oral não produziu recuperação satisfatória. Pode ser realizada de forma combinada com o corticoide oral desde o início em casos graves.
Repouso e medidas adjuvantes
Durante o tratamento, recomenda-se repouso relativo, boa hidratação, evitar exposição a ruídos intensos e suspender temporariamente exercícios que envolvam grande esforço físico ou manobras de Valsalva. O uso de antivirais (aciclovir) é controverso na literatura; algumas diretrizes recomendam seu uso em conjunto com os corticoides, especialmente quando há suspeita de etiologia herpética.
Acompanhamento audiométrico
A audiometria de controle é realizada ao longo do tratamento para avaliar a resposta terapêutica. Nos casos com recuperação incompleta, a habilitação auditiva com aparelho auditivo é o próximo passo; nos casos com anacusia (perda total) no ouvido acometido sem recuperação, o implante coclear pode ser considerado em casos selecionados.
Neurinoma do acústico: a investigação que não pode ser esquecida
O schwannoma vestibular (popularmente conhecido como neurinoma do acústico) é um tumor benigno que cresce lentamente no nervo vestibulococlear. Em aproximadamente 10% dos casos, ele se manifesta como surdez súbita, às vezes com recuperação espontânea parcial, o que pode dar uma falsa sensação de resolução do problema.
Por essa razão, a ressonância magnética com gadolínio é parte obrigatória da investigação de toda surdez súbita, mesmo após a melhora dos sintomas. O diagnóstico precoce de um neurinoma do acústico permite planejamento terapêutico (seja acompanhamento com "watch and wait", radioterapia estereotáxica ou cirurgia) antes que o tumor cresça e comprometa estruturas adjacentes.
A Dra. Mariana Castro Denaro, com sua formação em cirurgia de base de crânio pela Fundação FISH (Suíça) e experiência no HC/UFMG, está habilitada tanto para a investigação quanto para o acompanhamento de pacientes com neurinoma do acústico em Belo Horizonte.
Prognóstico: quem se recupera e quem não se recupera
O prognóstico da surdez súbita depende de vários fatores que o especialista avalia na consulta inicial:
- Fatores de bom prognóstico: tratamento iniciado em até 72h, perda auditiva leve a moderada, audiograma com padrão em frequências médias, ausência de vertigem associada, idade jovem
- Fatores de mau prognóstico: anacusia (perda total), tratamento tardio (após 2 semanas), presença de vertigem intensa, audiograma com padrão descendente severo ou flat, idade avançada com comorbidades vasculares
A taxa global de recuperação espontânea varia de 32% a 65% nos estudos. Com tratamento precoce adequado, uma proporção maior de pacientes alcança recuperação parcial ou total. Mesmo nos casos com sequela auditiva permanente no ouvido acometido, existe adaptação funcional; e nos casos mais graves, a reabilitação com aparelho auditivo ou implante pode restaurar a funcionalidade auditiva.
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Surdez súbita é urgência. Se você ou alguém próximo está com perda auditiva repentina em um ouvido, não espere. A Dra. Mariana Castro Denaro atende no bairro Santa Efigênia, em Belo Horizonte, com audiometria no mesmo dia e início imediato de tratamento quando indicado. Entre em contato agora pelo WhatsApp.
Agendar pelo WhatsAppPerguntas frequentes
O que é surdez súbita e como identificá-la?
Surdez súbita é definida como perda auditiva neurossensorial de 30 dB ou mais em pelo menos três frequências consecutivas, instalada em até 72 horas. Na prática, o paciente acorda sem ouvir de um ouvido, ou percebe a perda ao telefone, ou nota zumbido intenso repentino. Pode vir acompanhada de sensação de ouvido tampado, tontura ou vertigem. É unilateral na grande maioria dos casos. Qualquer perda auditiva súbita inexplicada deve ser tratada como emergência médica até prova em contrário.
Qual é o prazo máximo para iniciar o tratamento?
O ideal é iniciar o tratamento com corticoides em até 72 horas do início dos sintomas. Após duas semanas sem tratamento, as chances de recuperação auditiva caem drasticamente. Por isso, não se deve 'esperar para ver se melhora': a surdez súbita exige avaliação urgente, audiometria imediata e início precoce do tratamento. Atrasos (por falta de reconhecimento do quadro ou demora na busca por atendimento) são a principal causa de sequela auditiva permanente evitável.
Qual é o tratamento da surdez súbita?
O tratamento padrão é corticoterapia sistêmica com prednisona oral em dose alta por 7 a 14 dias. Nos casos em que o corticoide oral é contraindicado (diabetes descompensado, hipertensão grave, úlcera ativa) ou quando a resposta é insuficiente, a injeção intratimpânica de corticoide (aplicação direta no ouvido médio sob anestesia local) é a alternativa com evidência mais robusta. As duas modalidades podem ser combinadas em casos graves. Repouso, hidratação e afastamento de ruído são medidas adjuvantes.
A surdez súbita tem cura? Qual a taxa de recuperação?
A taxa de recuperação espontânea (sem tratamento) varia de 32% a 65% nos estudos, com grande variação dependendo do grau de perda e do tempo de evolução. Com tratamento precoce com corticoides, a recuperação parcial ou total ocorre na maioria dos pacientes. Fatores de mau prognóstico incluem: perda auditiva muito intensa (anacusia), ausência de tratamento nas primeiras duas semanas, presença de vertigem associada e audiograma com padrão de curva descendente severa. Por isso, o tratamento imediato é determinante para o resultado final.
A surdez súbita pode ser sinal de tumor?
Sim. O neurinoma do acústico (schwannoma vestibular), tumor benigno do nervo vestibulococlear, pode se manifestar como surdez súbita em aproximadamente 10% dos casos. Por isso, após o tratamento de urgência com corticoides, todos os pacientes com surdez súbita devem realizar ressonância magnética com contraste para afastar tumor retrococlear. Isso não deve atrasar o início do tratamento, mas é parte obrigatória da investigação.
O que causa a surdez súbita?
Em 60% a 70% dos casos, a causa permanece desconhecida (idiopática). As teorias mais aceitas envolvem infecção viral (herpes vírus, citomegalovírus), isquemia da artéria labiríntica (vascular) ou processo autoimune dirigido ao ouvido interno. Menos frequentemente, pode ser causada por trauma, fístula perilinfática, doença de Menière, neurinoma do acústico ou doenças sistêmicas como lúpus. A investigação inclui exame clínico, audiometria, exames laboratoriais e ressonância magnética.
Fontes e referências
As informações desta página têm finalidade educativa e não substituem consulta médica, diagnóstico individualizado ou atendimento de urgência e emergência. Consulte sempre um profissional de saúde habilitado.

