Você vira na cama de manhã e o mundo gira. Levanta rápido e sente que vai cair. Olha para cima para pegar algo numa prateleira e a vertigem aparece em segundos, intensa e inesperada. Se esses sintomas são familiares, existe uma grande probabilidade de você ter VPPB, Vertigem Posicional Paroxística Benigna, a causa mais comum de vertigem no mundo.
A VPPB responde por aproximadamente 20% a 30% de todos os casos de vertigem avaliados em consultório de otorrinolaringologia e afeta cerca de 2% da população ao longo da vida. É mais prevalente em mulheres e em pessoas acima de 40 anos, mas pode ocorrer em qualquer idade.
A notícia que mais alivia os pacientes: a VPPB tem cura rápida, segura e sem medicamentos. O tratamento com manobras de reposicionamento, realizado no próprio consultório, resolve mais de 90% dos casos em 1 a 3 sessões. Em Belo Horizonte, a Dra. Mariana Castro Denaro, otorrinolaringologista especialista em otologia e otoneurologia, realiza o diagnóstico e o tratamento da VPPB no consultório no Santa Efigênia.
O que causa a VPPB: o mecanismo dos cristais
Para entender a VPPB, é preciso conhecer a anatomia do ouvido interno. O labirinto contém duas estruturas responsáveis pelo equilíbrio: o utrículo e o sáculo (que detectam aceleração linear e gravidade) e os três canais semicirculares (que detectam aceleração angular, rotação).
O utrículo e o sáculo contêm pequenos cristais de carbonato de cálcio chamados otocônias (popularmente "pedrinhas do ouvido" ou "cristais do labirinto"). Esses cristais, normalmente fixos sobre uma membrana gelatinosa, aumentam a sensibilidade do utrículo à gravidade. Na VPPB, as otocônias se desprendem e migram para o interior de um dos canais semicirculares, mais frequentemente o canal posterior (85% dos casos), mas também o horizontal (15%) e, raramente, o anterior.
Quando a cabeça se move em determinada posição, os cristais deslocados movem a cúpula do canal, gerando um sinal elétrico falso de rotação que o cérebro interpreta como vertigem. O resultado é a vertigem intensa, breve e posicional característica da VPPB.
Fatores que predispõem ao desprendimento das otocônias incluem: trauma craniano (mesmo leve), envelhecimento, osteoporose, deficiência de vitamina D, infecção viral do ouvido interno, períodos prolongados de decúbito e VPPB prévia. Em muitos casos, não há fator precipitante identificável.
Sintomas da VPPB: como reconhecer
Os sintomas da VPPB têm características muito específicas que o especialista reconhece facilmente, e que o distinguem de outras causas de vertigem:
- Vertigem rotatória intensa, de início súbito, sensação de que o ambiente gira ou de que a cabeça está girando
- Duração breve, geralmente menos de 1 minuto (tipicamente 20 a 40 segundos); na VPPB do canal horizontal pode ser um pouco mais longa
- Desencadeada por posição específica, deitar, levantar da cama, virar de um lado para o outro deitado, olhar para cima ou abaixar a cabeça. A vertigem não aparece em repouso.
- Latência de início, a vertigem começa alguns segundos (5 a 20 segundos) após a mudança de posição, não imediatamente
- Sem sintomas auditivos, ausência de perda auditiva, zumbido ou sensação de ouvido cheio (o que diferencia da doença de Menière)
- Náuseas, frequentes durante a vertigem, raramente com vômitos
- Tontura residual leve, sensação de "flutuação" ou instabilidade entre as crises, que pode persistir por horas ou dias
O paciente frequentemente descreve a vertigem como ocorrendo "ao virar na cama de manhã", situação tão característica que é quase diagnóstica de VPPB do canal posterior.
Diagnóstico: as manobras que confirmam a VPPB
O diagnóstico de VPPB é clínico e realizado no consultório com manobras de posicionamento que reproduzem os sintomas e revelam o nistagmo (movimentos involuntários dos olhos) específico do canal acometido. O uso de óculos de Frenzel (óculos de alta magnificação que inibem a fixação visual e ampliam a visualização do nistagmo) aumenta a acurácia diagnóstica.
Manobra de Dix-Hallpike
É o teste padrão para VPPB do canal semicircular posterior (o mais frequente). O paciente é rapidamente levado da posição sentada para deitado com a cabeça rodada 45° para o lado suspeito e em extensão de 30°. Em VPPB do canal posterior, a manobra provoca nistagmo geotrófico torsional (com componente rotatório e vertical) com latência de 5 a 20 segundos, duração de 10 a 40 segundos e fatigabilidade (redução progressiva com repetição da manobra).
Roll test de Pagnini-McClure
Específico para VPPB do canal semicircular horizontal. O paciente é deitado em decúbito dorsal com a cabeça fletida 30° e então rapidamente girado para cada lado. Provoca nistagmo horizontal horizontal-geotrófico (bate para o lado testado) ou apogeotrópico (bate para o lado oposto), dependendo da variante da VPPB horizontal.
O resultado das manobras diagnósticas determina qual canal está acometido e qual variante da VPPB está presente, informação essencial para escolher a manobra terapêutica correta.
Tratamento: manobras de reposicionamento com mais de 90% de sucesso
O princípio do tratamento é mecânico: usar a gravidade e a posição da cabeça para conduzir os cristais deslocados de volta ao utrículo, onde não causam mais sintomas. As manobras são realizadas pelo médico no consultório, duram entre 5 e 10 minutos cada, e têm taxa de resolução superior a 90% em 1 a 3 sessões.
Canal posterior: Manobra de Epley (primeira escolha)
A manobra de Epley é o tratamento padrão para VPPB do canal posterior, o tipo mais comum. Consiste em uma sequência de quatro posições da cabeça, cada uma mantida por 30 a 60 segundos, que conduzem os cristais ao longo do canal posterior até a abertura do canal e de volta ao utrículo. A manobra provoca vertigem temporária durante a execução, que é sinal de que os cristais estão se movendo na direção correta.
A taxa de sucesso em uma única sessão varia de 70% a 80%, chegando a mais de 95% com 2 a 3 repetições. Não requer restrições posturais posteriores significativas, as recomendações antigas de "dormir sentado por 48 horas" foram revisadas e não têm suporte científico atual.
Canal posterior: Manobra de Semont
Alternativa à Epley para o canal posterior, particularmente útil quando o paciente tem limitação de movimentação cervical. Envolve dois movimentos rápidos e amplos de decúbito lateral. Eficácia comparável à manobra de Epley em mãos experientes.
Canal horizontal: Manobra BBQ (Lempert) e Manobra de Gufoni
Para VPPB do canal horizontal, as manobras são diferentes. A manobra de Lempert (também chamada "manobra BBQ") consiste em rolamentos sequenciais de 90° da cabeça no plano horizontal, conduzindo os cristais ao longo do canal horizontal até o utrículo. A manobra de Gufoni tem eficácia semelhante e pode ser mais confortável para alguns pacientes. A escolha entre as variantes depende do tipo específico de VPPB horizontal (canalolítiase ou cupulolitíase).
O que esperar após as manobras
Imediatamente após as manobras, é normal sentir tontura leve e instabilidade. Esses sintomas geralmente melhoram progressivamente nas horas e dias seguintes enquanto o sistema vestibular central se readapta. A maioria dos pacientes se sente significativamente melhor já no primeiro dia após o tratamento. Atividades normais, incluindo dirigir, podem ser retomadas assim que a tontura aguda passe.
VPPB e risco de quedas: especialmente em idosos
Em Belo Horizonte, como no restante do Brasil, quedas em idosos representam um problema de saúde pública significativo. A VPPB é uma das causas mais frequentes e mais subdiagnosticadas de quedas em pessoas acima de 65 anos, e uma das mais tratáveis.
Idosos com VPPB têm risco aumentado de quedas ao se levantar da cama pela manhã, ao se abaixar para pegar objetos do chão, ao olhar prateleiras altas e em qualquer situação que exija mudança de posição rápida. Uma única queda pode resultar em fratura de quadril com consequências funcionais severas nessa população.
O diagnóstico e o tratamento precoce da VPPB em idosos é, portanto, uma medida genuína de prevenção de quedas, com impacto direto na independência funcional e na qualidade de vida. Se você tem um familiar idoso que evita certas posições, reclama de tontura ao se levantar ou relata medo de cair, a avaliação com otorrinolaringologista é recomendada.
Conheça também nossa página sobre tontura e labirintite em Belo Horizonte para entender as diferentes causas de vertigem e como cada uma é diagnosticada e tratada.
VPPB recorrente: quando investigar causas secundárias
A VPPB recorrente, com múltiplos episódios ao longo dos meses ou anos, é comum e, na maioria das vezes, idiopática (sem causa identificável). No entanto, casos de recorrência muito frequente (mais de 3 episódios por ano) justificam investigação de causas secundárias:
- Osteoporose: a menor densidade mineral óssea pode comprometer a fixação das otocônias à mácula do utrículo, facilitando o desprendimento repetido
- Deficiência de vitamina D: associada à recorrência de VPPB em estudos clínicos; a reposição de vitamina D em pacientes deficientes pode reduzir a frequência de recorrências
- Doença de Menière: VPPB pode ser complicação da Menière quando a hidrópsia afeta o utrículo e desprende as otocônias
- Neurite vestibular prévia: pode predispor à VPPB secundária por dano ao utrículo
- Trauma craniano: qualquer trauma, mesmo leve, pode ser precipitante de VPPB
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Se você está com vertigem ao mudar de posição, não precisa conviver com isso nem tomar medicamentos para o resto da vida. A VPPB tem tratamento rápido e altamente eficaz. A Dra. Mariana Castro Denaro realiza o diagnóstico e o tratamento com manobras de reposicionamento no consultório no Santa Efigênia, em Belo Horizonte. Entre em contato pelo WhatsApp para agendar sua consulta.
Agendar pelo WhatsAppPerguntas frequentes
VPPB é o mesmo que labirintite?
Não. 'Labirintite' é um termo popular usado para denominar qualquer tipo de tontura ou vertigem, mas clinicamente labirintite é uma inflamação infecciosa do labirinto, condição muito menos comum. A VPPB é uma disfunção mecânica causada pelo deslocamento de cristais de carbonato de cálcio (otocônias) dentro dos canais semicirculares. São condições completamente diferentes, com causas, diagnóstico e tratamento distintos. Usar 'labirintite' como sinônimo de vertigem é um equívoco comum que pode atrasar o diagnóstico e o tratamento corretos.
Como é feito o diagnóstico de VPPB?
O diagnóstico da VPPB é clínico, realizado no consultório com manobras de posicionamento que reproduzem a vertigem e permitem observar o nistagmo (movimentos involuntários dos olhos) característico. A manobra de Dix-Hallpike é usada para o canal semicircular posterior, o mais afetado na VPPB (85% dos casos). O roll test de Pagnini-McClure identifica o comprometimento do canal horizontal. Não são necessários exames de imagem ou audiometria para o diagnóstico de VPPB típica, o especialista experiente diagnostica no próprio consultório.
Quanto tempo dura o tratamento com manobras?
As manobras de reposicionamento são realizadas no próprio consultório, em sessão que dura entre 15 e 30 minutos. A taxa de resolução é superior a 90% em 1 a 3 sessões. Muitos pacientes ficam assintomáticos já após a primeira sessão, com leve tontura residual nos primeiros dias enquanto o cérebro se readapta. O tratamento não causa dor nem efeitos colaterais relevantes, apenas a tontura temporária durante a própria manobra. É um dos tratamentos mais eficazes e com melhor relação custo-benefício em toda a medicina.
A VPPB volta após o tratamento?
Sim, a recorrência é parte natural da doença. Estudos mostram recorrência em 15% a 20% dos pacientes em 1 ano e em 30% a 50% em 5 anos. Cada recorrência é tratada com o mesmo sucesso das sessões anteriores. Não há tratamento preventivo para a recorrência; a orientação é reconhecer os sintomas e retornar para nova sessão de manobras quando necessário. Em pacientes com VPPB recorrente muito frequente, o médico avalia a necessidade de pesquisar causas secundárias como osteoporose ou distúrbios de vitamina D.
Medicamento para vertigem resolve a VPPB?
Não. Medicamentos antivertiginosos como meclizina, dimenidrinato e betaistina aliviam temporariamente o sintoma de tontura, mas não tratam a causa da VPPB (os cristais deslocados nos canais). O uso prolongado de antivertiginosos pode até prejudicar a compensação vestibular natural do cérebro. O tratamento correto e definitivo é a manobra de reposicionamento realizada por profissional treinado. As diretrizes da American Academy of Otolaryngology recomendam contra o uso rotineiro de medicamentos para VPPB e indicam as manobras como tratamento de primeira linha.
VPPB é perigosa? Pode causar sequelas?
A VPPB em si não causa danos ao ouvido, à audição ou ao sistema nervoso, é uma condição mecânica benigna, como o nome sugere. No entanto, sem tratamento pode persistir por semanas a meses, causando risco significativo de quedas, especialmente em idosos, nos quais VPPB é causa importante de queda e fratura. Por isso, o diagnóstico e o tratamento precoces são importantes não pela gravidade da doença em si, mas pela prevenção de complicações secundárias como fraturas e suas consequências.
Fontes e referências
As informações desta página têm finalidade educativa e não substituem consulta médica, diagnóstico individualizado ou atendimento de urgência e emergência. Consulte sempre um profissional de saúde habilitado.

